Luciana de Sousa
Com toda a liberdade que me é permitida para criar, eu diria que o meu armário é um pouco mais moderno, tipo closet, daqueles que já vêm abertos. Esse é o armário da Luciana, meu armário, armário sem portas.
Imagina aquela menininha que já nasceu uma mini-lésbica – era eu. Mal minha mãe me enfeitava, lá estava eu, sem vestido, só de calcinha, despenteada, correndo na rua, jogando bola, no skate, patins. De nada adiantava o quarto cheio de bonecas, exceto pela admiração da fotografia do corpo feminino.
Na adolescência, incontáveis namoricos que não ultrapassavam dois meses. Os namorados sequer chegavam perto de realizar o mapeamento das minhas sutis curvas. Nessa época, me despertaram o desejo, a psicóloga e a coordenadora. Normalmente, era atitude típica das alunas, essa forte tendência de enamorar-se platonicamente por mulheres que exerciam esses cargos. Dentro de mim, um conflito intenso e a insegurança de lidar com sentimentos que sobreponham minha razão.
Aos 18 anos, aquela mini-lésbica, agora mulher, estava noiva. A cobrança incessante da família, a desconfiança da minha irmã acerca da minha sexualidade, a proximidade das famílias, tudo contribuiu para o noivado. Paralelamente ao noivado, adquiri minha primeira internet. A curiosidade aguçada me levou à sala de bate-papo. Marquei meu primeiro encontro com menina. Nessa ocasião, meu noivo estava em viagem. Criei um aglomerado de expectativas em torno desse encontro – seria um real contato com o mundo que eu almejava.
Num breve resumo: decepcionante. Não me culpem por desistir de conhecer a fundo aquela figura díspare – 150 kg era demais pra uma garota de 18 anos que fantasiava voluptuosos momentos inolvidáveis com uma mulher. Inventei uma desculpa e desci do carro dela. Adeus ao mundo lésbico!
Com o desejo ainda mais aflorado, logo me vi de volta ao velho bate-papo. Para a minha satisfação, o segundo encontro/primeira vez, transcorreu exatamente como eu planejei. Rolou tudo, sem restrições. Para alguém de 18 anos, virgem, eu fui bem “saidinha”. Adivinhem? Ela também estava noiva. Resultado: tornamo-nos, os quatro, amigos.
Após alguns encontros, resolvi não mais vê-la e revelei toda a verdade para o meu noivo. Foram momentos difíceis, divididos entre lágrimas, sofrimento e desespero. Com o término, tomei a decisão de assumir-se para os meus familiares. Certo dia, lembro-me nitidamente, quando disse à minha mãe que aquilo do qual ela desconfiava de mim, era verdade; e perguntei qual seria a sua postura. O silêncio reinou. No dia seguinte, deu-me um abraço forte o qual prescindia de qualquer palavra.
Hoje, todos sabem a meu respeito: mãe, tias (os), irmã (ao), primas (os), avó, amigos e, inclusive, minha sobrinha de cinco anos. Se ela é indagada com quem eu namoro, a mesma responde: – “Letícia”. Apenas meu pai teima em aceitar minha verdade, embora a conheça.
Se o número de armários for proporcional ao de lésbicas, digo que há armários de sobra. Se toda lésbica decidir doar seu armário para outra; sugiro que renunciem essa doação. Proponho, então, que cada lésbica leiloe seu armário a preço de banana, pois é só isso o que ele vale.


















A Luh ahazan…
Qto a sua sobrinha d 5 anos, está mais do q certa deixa-la a par d toda a situação. Afinal só assim nós (gays) poderemos um dia viver numa sociedade não muito homofóbica. Educando desde criancinha. Coincidencia, tenho uma irmã d 6 anos, e ela já sabe das minhas preferencias.E por incrivel q pareça ela me entende, melhor do q o meu próprio pai, q insiste na ideia absurda de isso é só fase, e q enquanto ela não passar não irá falar cmg…FODA-SE ELE.
Amigaaaa,que texto massa
Lembro-me bem dos namoricos,do noivado,do primeiro namoro…
Fico feliz por vc ter se encontrado.
E mais ainda por ser com uma pessoa linda(por dentro e por fora)
Tô sempre por aqui…me aguarde!
Olá,
Minha flor, que história linda! Creio que muita gente se identificou. A cada linha é simplesmente inevitável a fúria que me corrói de habitar numa sociedade de pensamento tão linear. Até quando vamos viver sobre alicerces tão frágeis que não mais suportam toda esta imensidão de um mundo escondido atrás do medo, da culpa e da rejeição? Escolhas? Perdoem-me, mas ninguém escolhe ser gay. E para justificar é que recorro a Freud. Partindo do princípio das necessidades humanas, sejam elas consientes ou sudconcientes, queremos ser aceitos, queremos fazer parte de um mundo, nos sentir engajados. É instinto humano, não se controla. Logo, como poderíamos romper com esses princípios e simplesmente escolher está no topo da cadeia dos pensamentos preconceituosos, sendo alvos de violência e muitas vezes sendo postos como o motivo do caos, da desordem? A mente humana seria incapaz de escolher isso. Ser gay é tão natural, tão humano como o próprio ser humano. Ármarios pra quê te quero? Eles ainda irão existir como um mundo cor de cinza que esconde pessoas lidas, sufocando a felicidade de muitos. Mas o que muitos não sabem, é que a realidade é construída de muitas ilusões.
É amiga vc é uma pessoa que enfrenta sem medo seus desejos….por isso e muito mais que te admiro muito!!!!
O faço justamente porque me ponho em primeiro lugar em relação às adversidades. Obrigada, paty, vc mora no meu coração.
Juliana, se eu tivesse uma oportunidade de voltar a essa vida novamente e me fosse concedida uma segunda change de escolher uma opção sexual, lhe afirmo com propriedade que escolheria ser lésbica. Enfrentaria, com toda veemência que me nutre, essa conjectura alienada e ultrapassada que insiste em perseguir aqueles que fogem dos padrões, independente de quaisquer motivações que lhes deram origem. Amo ser lésbica. Amo essa coisa de corpo de duas mulheres juntas. Amo o formato delicado de dois lábios femininos encontrando-se. Seus comentários possuem sempre muito conteúdo, obrigada.
Manu, você participou de tudo e sempre se manteve do meu lado, independente de qualquer situação. Prezo muito nossa amizade, amiga.
Claro, Victor, e baseado justamente nesse pensamento, eu e Letícia, minha namorada, decidimos realizar uma festa (o niver da Lívia) na casa dela, num momento onde seus filhos estavam presentes. É importante que eles conheçam desde pequenos, que existem padrões diferenciados de homens e mulheres. Os primeiros podem ser afeminados ou não e as segundas também se apresentam de várias formas. Aos poucos vamos introduzindo essa nova concepção de uma maneira gradativa, não invasiva, assim, eles captam a essência natural da coisa.
Conheço muito bem essa história, exceto a parte da outra menina noiva, que me foi omitida. Tudo bem, passado é passado, embora aquelas cinzas de cíúmes misturadas com uma pitada de “não quero que exista ninguém antes de mim”; teimem em bagunçar a cabeça das namoradas. Tenho muito orgulho da pessoa que você é, da forma livre como você vive, da naturalidade como você conduz a sua sexualidade e principalmente, da sua verdade e transparência junto à sua família. Obrigada por ter me achado. Ainda bem que estavas no meu caminho. Parabéns, você é uma lésbica e tanto!
Confirmo tudo que vc dic, titia. Assumidíssima e não deve nada a ninguém.
É isso aí, continue mantendo essa ótima relação com todos nós. Mostre quem vc é, sem subterfúgios ou medos. Você não precisa disso.
Sempre gostei da forma como você se mostra e se define. Acredita nos seus ideais e é muito convicta em relação ao que você gosta: de mulher.
Sempre admirei a maneira como você se define e quebra os paradigmas impostos pela sociedade que insiste em maquiar as imperfeições que contrariam a normalidade. Você se assume porque não consegue viver diferente, fingindo ser algo que vc não é. Parabéns pela coragem.
Parabens prima!
Linda história e dificil tb né!
Como diz o ditado: “Se fosse facil não teria graça né!”
Tiamuviu
(e a Lelê tb rsrs)
Esse é meu primo do coração, meu Bruninho de todas as horas.
Bom saber que você descobriu o Lez Femme, Franzé.
Andrea, você que me conhece, sabe que eu encaro a coisa de forma muito simples, mesmo.
Carolzinha, o medo se camufla na tentativa de invadir o meu espaço. Todas as tentativas foram falhas.
Só podia ser você, Carlinha. Que sorte eu tenho de ter sobrinhas com a mente tão preparada para as mudanças.
Tem que ter muito peito pra abrir o coração desse jeito, viu…Infelizmente vivemos numa sociedade extremamente preconceituosa, onde os que mais recriminam são os que mais erram…Falsos moralistas!!!
Só te admiro cada vez mais, prima!!
Nunca deixe de correr atrás dos seu sonhos e desejos.
Amo vc.
Mil bjs.
Gatinha, você é tudo de bom!!!
Um exemplo ah seguir, queria ter essa coragem e determinação!!!
Parabéns!!!
Ah e uma criança linda!!!
Legal Lu…Muita coragem. Há muito tempo fugi do meu armário. Desde esse dia posso afirmar que sou completamente feliz. Graças a Deus minha mãe me ama do jeito que eu sou e até gosta da minha namorada. Toda a minha família e amigos sabem e me respeitam. Se você impõe respeito, as pessoas te respeitam.
Concordo, Jazzy, o relacionamento com a família inclusive amadurece.
Flávia, siga meu exemplo, então!
Obrigada, Fabinho, por estar acima desses falsos conceitos criados pela sociedade. Estou cercada de primos maravilhosos.
Nossaaa Lú, a história hein?! Admiro sua postura com relação a sexualidade, assumir, sair mesmo do armário.. sem ligar para os que os outros vão falar, afinal a vida é sua e ninguém tem nada haver não é mesmo? Gostei mt do blog, muita coisa interessante.. e que belo armário o seu… cuide bem dele e doe para quem precisar.hehe
De certa forma pra mim foi uma surpresa quando a Lu se assumiu, já que nos tempos do colégio ela vivia rodeada de meninos, todos querendo ficar com ela… rsss Nessas horas eu me lembro das desculpas dela pra dispensá-los “nós não combinamos”, “ele não faz parte do meu mundo” agora tudo faz sentido… heheheh
Fico muito feliz pela sua felicidade, nada melhor que estar bem consigo…
Saudade amigaaaaa!!! =*****
Noooosssa, um depoimento e tanto!! Minha saída do armário pros meus pais foi um tanto desastrosa. Fico ao menos satisfeita de, na época, estar certa do que estava fazendo e não somente levada pela tendência “É só um beijinho, que tem de mau?”. Hoje, alguns amigos sabem, outros desconfiam, uns familiares aparentam intrigados, mas TODOS me respeitam. Pra mim, é o que vale!
Juh, nessas circunstâncias o respeito é fundamental, independente de qualquer coisa.
Kelly, ela era campeã nessas desculpas. E como o assédio era grande e as recusas ainda maiores, ela tinha que inventar muitas histórias.
kkkkkkkkkk, Priscila! Muito bom mesmo. Você está precisando de doação? Olha que o meu closet é bem moderno…
Não preciso dizer o quanto a admiro,suas atitudes sua coragem, enfim vc é um exemplo de felecidade.. de maturidade de mulher LESBICA e principalmente amiga.Parabens Luzão .Nossa forma de carinnho e cumplicidade.
bjs
Obrigada, Rosão, pelo carinho e sinceridade!
Nossa sua história é muito interessante,afinal mesmo com os contra-tempos que acho que um dia vc deva ter passado durante sua vida,sua coragem e seu modo de tentar e de ser feliz é realmente espetacular,mesmo eu não sendo lésbica mais como ser humano admiro pessoas como vc,que não tem medo de ser feliz e querer um mundo justo onde homossexuais e heterossexuais são um só.Ainda não sei por que existe pessoas de mente fracas que não aceitam que o homossexualismo existe e que as pessoas são iguais e tem direitos iguais,o mundo deveria se preocupar com outras coisas,afinal vc aponta um dedo pra uma pessoa e não vê que tem três apontados pra vc mesma!E finalizando esse enorme comentário!A vida é muito bela pra deixar pessoas medíocres e de mentes pequenas tomar conta da sua vida,seja simplesmente feliz e viva intensamente.
É isso aí, Susanna. Se todos os héteros fossem iguais a você, certamente não necessitaríamos ser incisivos nessa questão de exigir um reconhecimento e espaço igual na sociedade. Tudo aconteceria de forma mais natural.
If you would be a real seeker after truth, it is necessary that at least once in your life you doubt, as far as possible, all things.
“150 kg era demais pra uma garota de 18 anos que fantasiava voluptuosos momentos inolvidáveis com uma mulher.”
kkkkkkk Ai Lu, tadinha da moça kkkkkk Deve ter partido o coração dela.
Mas enfim, as redes virtuais de fato são excelentes formas de entrar-se nesse mundo maravilhoso.Eu não sou adepta de salas de bate-papos mas ingressei minha liberdade no Leskut.Foi ótimo, minhas primeiras namoradas conheci lá…E saber que esses tipos de espaços só tendem a crescer,como o Lezfemme, que já ajudou coraçãos a unir-se, é maravilhoso.Eu particularmente fico de olho nos artigos novos de “Classificadas” adoooorooo..Por que ali se conhece bem a pessoa em questão.Em falar nisso, vocÊs estão devendo artigos mais recentes viu..Cobro mesmo…kkkkkkk
Bjus meninas e nossa que saudade de vocês…
Vc está certíssima, Dhanny. Logo, logo vem um artigo aí, bem legal… Adoro qdo vc escreve.
Gostei de mais de todos os relatos de quem saiu do armário, e principalmente o seu Luciana não te conheço mais adimiro muito vc e Letícia, sua história é uma realidade que vemos todo dia pessoas que tem medo de assumir um relacionamento e ficam infeliz em o mantém por conviniência por medo que as pessoas vão dizer e c mostrou sua coragem e assumiu o que vc queria…parabéns a vcs por esse site.
amei… foi importante ler, me localizar em meu eu interior. Valeu lindo mesmo. Bjs
LEO
que lindo o seu depoimento…eu também já sai do armário, mas só faço questão de dizer para as pessoas as quais me sinto a vontade.