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Kelzinha Lopes

 

“O meu estar no armário” por Kelzinha Lopes

Como conceituar um armário? Armário, para mim, é onde você pode guardar objetos, claro. Mas, o seu uso é que o define melhor. Se eu abro constantemente este armário, se eu permito que muitas pessoas o abram, é porque lá têm objetos dos quais eu permito que as pessoas usem tranquilamente. Ele geralmente vai estar em um cantinho onde todos possam ver. Mas, em determinados armários, nós guardamos “segredos”, objetos valiosos, que, de forma alguma, sem o nosso consentimento, não permitimos que qualquer um use ou toque. São nossos e temos direitos por eles. Eu tenho uma escrivaninha no meu quarto, onde deixo meus livros e passo a maior parte do tempo estudando. Nela, têm duas gavetas onde guardo dinheiro, contas pagas, meus certificados, enfim, objetos pessoais. Trancada, pois é minha e eu tenho direito de trancar e não permitir que quem entre no meu quarto veja meus objetos. A não ser que eu queira.

Onde quero chegar?! “O meu estar no armário” tem mais uma explicação além de querer que seja “segredo”. Na realidade, sou de uma família muito conservadora. Meus pais são diligentemente religiosos. Meu pai tem envolvimento com a política, além da religião. Minha mãe é cheia de preconceitos também, estes oriundos de seu credo. Então, por não querer magoar os sentimentos de minha família, que são meus amigos mais próximos, não quero “sair do armário” para eles. Quero ficar guardada, em segredo, pois, neste caso, cabe somente a mim o uso desses objetos. Não quero ferir os sentimentos de ninguém. Não preciso disso para viver em paz comigo mesma.

Quanto aos outros amigos, não faço questão de esconder, mas também não faço questão de estar usando rótulos. Rótulos, para mim, só servem pra que você identifique a marca de algo. Muitas vezes exprimem qualidade. Todavia, nem sempre é assim. Ainda estou no armário por querer estar. Não por medo, como muitas sentem. Gosto de viver de uma forma que me faça feliz. Se estou feliz, deixo tudo do jeito que estar. Se não estou, busco minha felicidade SEMPRE. E, para ser feliz, não é necessário que eu magoe aos que estão ao meu redor. Posso conciliar minha felicidade com o bem-estar das pessoas que me rodeiam. Digamos que sou educada. rs.

Espero não ter sido muito contraditória. Também espero ter explicado um pouco, embora sinteticamente, minha escolha de não aparecer, abusar. Da minha não exposição. Porque, no meu caso, pelo menos, tenho motivos relevantes e a minha opinião também diverge de estar ou não estar no armário. Sou assim, gosto de ser assim. Até agora estou feliz. Então, o que eu mais quero?! rs

Um beijão!

4 Comentários

  1. Raquel Costa

    È Rachel,se está no armário ta dando pra voce ser feliz,continue assim,eu sempre vivi feliz estando no armário,e hoje sou feliz,depois de ter aberto a porta do mesmo.Mas consequencias da minha saida,me afetam até hoje,não pela opnião de outros,ou até mesmo da família,mas por decisões tomadas que não posso mais voltar atrás.As vezes por errarmos as pessoas que estão proximas da gente são as primeiras a dizer,que nada vai dar certo,ou acha que lesbica é um zero a esquerda,coitada dessas pessoas,porque nós abalamos muito.Quem vive com a mente fechada,e nem sequer vem conhecer o nosso mundo,não tem direito a argumentar qualquer assunto referente a nós.
    Algumas ,como foi o meu caso,perde a cabeça ao sair do armário,não raciocinamos direito,porque nos levamos pelas emoções da liberdade e nos deparamos com um novo mundo,e nem sempre,nesse lado sentimental das coisas,desenrolamos o babado como tem que ser.E pagamos o preço.
    Mas depois passa,rsrsrsrsrsrsrs,ainda bem que passa.Mas o que fizemos não tem mais concerto.
    POR TUDO ISSO,RESPEITO AS PESSOAS QUE ESTÃO NO ARMÁRIO,E PODEM ATÉ SE ROTULAR BI,MAS NO MEU CASO,EU VIVIA NO ARMÁRIO,MAS NUNCA FIQUEI COM UM HOMEM.

  2. admin

    Raquel, você é sempre muito profunda nas palavras, uma pessoa muito autêntica. Essa última revelação é novidade pra mim. É mesmo muito raro as lésbicas não terem tido um passado com homem. Enfim, é uma vontade, uma escolha… Não posso referir-me com propriedade e respeito por demais.

  3. Kelzinha Lopes

    Raquel, Le e Lu… adoro muito vocês e estou com saudades! Devo visitas! rs Pela primeira vez na minha vida exponho tanto a minha pessoalidade. Mas, é por uma boa causa que é o Lez Femme. E sempre que precisarem, podem contar comigo em tudo.

    Beijokassssssss

  4. Elaine

    Raquel amei sua publicação, e por incrivel que pareça tenho essa mesma linha de pensamento e vivo algo bem parecido.
    Um abraço!

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