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Leopodina Freire

Cada lésbica encontra uma forma específica para sair do armário. Eu diria que a minha foi um tanto quanto traumática. Descobri-me lésbica aos 13 anos. Naquela idade uma certeza de que gostava de meninas já me possuía.  Meus pais, que mantinham uma distância típica da década de 80, sequer imaginavam algo do tipo. Eu vivia detrás de uma Leopodina falsa, uma máscara inútil que criara pra enfrentar o preconceito aflorado. Com dois irmãos homens e uma família quase extrema católica, no interior de Sobral, passei a encolher-me num mundo próprio meu. Gostava de jogar futebol , correr e praticar esportes mais comumente dos meninos, ainda que meu tipo físico não fosse denunciador.

 

Aos 18, lá vinham aquelas perguntas dos pais e avós sobre quando eu arrumaria um namorado. No meu aniversário de 19 anos, praticamente me obrigaram a beijar um meninoodiei e fiquei enojada – no fundo eu queria a irmã dele. Com um tempo, conheci pessoas, meninas lésbicas, festas, bares, diversos meios que me levavam ao meu destino.

 

Determinada noite, aos 20, levei uma menina à minha casa, a Ana, com quem em seguida namorei três anos. Entrei no quarto dos meus pais e a apresentei como minha namorada. Foi um choque profundo. É duro remeter-me a esse episódio novamente. Eles colocaram-me pra fora de casa. Passaram-se quatro anos sem qualquer sinal de comunicação. Descobrindo-me aos 13, assumindo-me aos 20, sem o apoio da família, foi uma luta muito árdua.

 

Certo dia, eles decidiram “perdoar-me”. Perdoar de que? Não cometi crime algum, tampouco algo de errado. Não precisava de perdão de ninguém. Só necessitava de que me aceitassem como eu era. Hoje temos uma convivência afável e tranqüila, na condição de que certos assuntos e comportamentos sejam evitados. Uma coisa mudou: Eu me posiciono priorizando a minha liberdade e sobrepondo-me acima de quaisquer conceitos deturpados que me condicionem a permanecer nos bastidores.

 

Com 31 anos, moro sozinha, sou independente e o armário, já faz parte do passado. Falo com propriedade que não vale à pena ficar por muito tempo nele. Esse lugar recôndito que por muito foi palco de um cenário infeliz e onde por muito tempo meu estado anímico dissipou-se em sobras de meias verdades – não sinto falta dele!

 

 

Por Leopodina Freire

Foto:http://www.sxc.hu

 

 

 

 

 

 

 

 

2 Comentários

  1. otimo site
    otimas informações
    layout impecavel….

    poderia colocar mais artigos GLS no geral.

  2. admin

    Obrigada, Alisson. Não se preocupe, breve virão novidades para vocês…

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